Observando os jogos do campeonato carioca e do campeonato paulista vi muita correria, aplicação tática e coisas do tipo.
O que não vi foi arte, nenhum drible desconcertante, nenhum passe milimétrico, nada disso.
A nova falácia técnica agora consiste em abrir o jogo devido ao excesso de jogadores concentrados no meio-campo e na defesa.
Todavia eu pergunto: Há algum camisa 10 de encher os olhos neste nosso futebol brasileiro? Há algum camisa 8 de encher os olhos neste nosso futebol brasileiro?
Considerando a abertura pelas laterais, parece que esta é a única solução para a mediocridade que vai extirpando a beleza de nosso futebol.
Tal abertura, quando é feita satisfatoriamente, redunda no tal chuveirinho que pode ou não encontrar o atacante na posição correta para o arremate.
Jogar pelas laterais não significa empurrar a bola para o lateral para que ele a cruze na área.
Antes de mais nada, a bola tem que chegar limpa para este lateral que tem que ter habilidade para tocar e receber e driblar quando for necessário. Um corte seco para dentro e outro para fora podem acabar com qualquer linha defensiva. Um elástico para dentro pode simplesmente abrir uma clareira para a penetração de pelos menos dois atacantes. Leandro e Jorginho, do nosso saudoso e extraordinário Flamengo, que o digam...
Uma bola que chega na maioria das vezes quadrada, mal passada pelos botinudos que protegem a área, será fatalmente dominada pelos adversários.
O camisa 10 de hoje em dia marca, mas não cria. O camisa 8 marca, mas também não cria.
A alegação de que estes jogadores acima mencionados sofrem marcação intensa é no mínimo ridícula. Temos inúmeros exemplos de gênios que sempre foram perseguidos em campo e que, mesmo assim, arrumavam um jeito de se livrar dos adversários.
O que vejo é um bando de jogadores correndo e correndo muito, desvirtuados de suas funções vitais em campo.
O jogo entre FLAMENGO X FRIBURGUENSE no domingo ilustra bem o que digo.
JOÃO AYRES
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
O TAL DO GOL PEQUENO OU DO GOLZINHO
Em tempos de futebol de areia de cinco, não ouço e vejo pouca gente jogando o tal do gol pequeno ou do golzinho à beira da praia.
Sou do tempo em que as balizas eram feitas de frágeis pedaços de pau. Era gostoso ficar ali horas a fio correndo muito e aprendendo sempre novos dribles com aqueles ratos de praia.
O GOLZINHO OU GOL PEQUENO era o futebol jogado sempre em espaço curto. Era difícil chegar até a meta adversária. Quando isto acontecia, ainda havia um defensor cobrindo todo o gol.
O campo era curto, próximo à água e no máximo encontrava-se um pouco de areia fofa quando derivávamos para o meio. Toques precisos, elásticos, dribles incríveis como o DRIBLE DA VACA, tão bem aplicado pelo jogador EDUARDO DO CRUZEIRO, pedaladas em espaço mínimo, canetas e lençóis sequenciais, tudo isto era feito naquele templo sagrado.
Para se fazer gol era preciso deslocar o zagueiro de forma singular. Uma técnica comum consistia num movimento rápido com as pernas, uma ginga alternada com uma puxeta, ou seja, puxa-se a bola para trás e para frente oferecendo-a ao adversário, forçando-o a abrir as mesmas.
A redonda geralmente deslizava por ali e a festa era geral.
Não tenho nada contra o futebol de cinco, mas acho mais graça neste golzinho ou gol pequeno.
Há muito mais plástica neste tipo de atividade relegada ao ostracismo.
João Ayres.
Sou do tempo em que as balizas eram feitas de frágeis pedaços de pau. Era gostoso ficar ali horas a fio correndo muito e aprendendo sempre novos dribles com aqueles ratos de praia.
O GOLZINHO OU GOL PEQUENO era o futebol jogado sempre em espaço curto. Era difícil chegar até a meta adversária. Quando isto acontecia, ainda havia um defensor cobrindo todo o gol.
O campo era curto, próximo à água e no máximo encontrava-se um pouco de areia fofa quando derivávamos para o meio. Toques precisos, elásticos, dribles incríveis como o DRIBLE DA VACA, tão bem aplicado pelo jogador EDUARDO DO CRUZEIRO, pedaladas em espaço mínimo, canetas e lençóis sequenciais, tudo isto era feito naquele templo sagrado.
Para se fazer gol era preciso deslocar o zagueiro de forma singular. Uma técnica comum consistia num movimento rápido com as pernas, uma ginga alternada com uma puxeta, ou seja, puxa-se a bola para trás e para frente oferecendo-a ao adversário, forçando-o a abrir as mesmas.
A redonda geralmente deslizava por ali e a festa era geral.
Não tenho nada contra o futebol de cinco, mas acho mais graça neste golzinho ou gol pequeno.
Há muito mais plástica neste tipo de atividade relegada ao ostracismo.
João Ayres.
Assinar:
Comentários (Atom)